Couves de Bruxelas

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As couves de bruxelas são simplesmente horrorosas. O aspecto até é assim-assim, mas o sabor, credo! É um pavor! Ou melhor, era até o senhor da banca de vegetais no mercado onde costumo ir me ter explicado como as deveria cozinhar. Lá levei uns duzentos gramas* para casa e guardei-os no frigorífico. Agora posso dizer com toda a confiança que até gosto de comer couves de bruxelas. Por isso, caso alguém esteja a ler isto e a pensar que não gosta das tais couves, deixo aqui o modo de prepará-las convenientemente.

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Primeiro passo: cortar a base de cada couve em cruz, tal e qual como na foto. Desta forma as couves cozem rapidamente e não se arriscam a ficar mal cozidas.

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Segundo passo: colocá-las de molho em água com sumo de limão e se acharem necessário adicionem quartos de limão. O tempo que devem ficar de molho varia conforme o vosso amor por tais couves. Quem as odeia deve deixá-las de molho durante uma hora. Quem não as odeia mas pouco tolera o sabor, 10 a 15 minutos deverão bastar. Costumo deixá-las de molho durante duas horas. Retirem daí as conclusões que acharem necessárias.

Terceiro passo: cozinhem-nas como quiserem. Costumo cozinhá-las em água fervente com um pouco de sal.

E pronto, fica aqui a minha contribuição para que as couves de bruxelas comecem a ser menos odiadas. Elas não têm culpa de que não saibam cozinhá-las em condições. 😛

Aquele asterisco lá em cima tem uma razão de ser. É para indicar uma nota que já vem a seguir.

* São duzentos gramas por um motivo só. Grama é um substantivo masculino, quando usado como unidade de medida, claro.  🙂

E também sai um casaco

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Terminei ontem o casaco impermeável da Ottobre. Trabalhar com este tecido impermeável foi um desafio (até uma agulha parti) e levei algum tempo até perceber como colocar o forro sem que este repuxasse o tecido exterior.

É um casaco perfeito para as brincadeiras dela no parque e na praia. Quanto ao facto de ter tapado a cara à minha filha na foto… Não censuro quem não o faça mas, pessoalmente, não me considero dona dos seus direitos de imagem. Como tal, não publico fotos na internet onde revele a sua identidade. Quando isso acontecer é porque ela terá idade suficiente para  compreender o mundo da internet e me dar a sua autorização para publicar fotos suas. Até lá, as fotos dela ficarão assim.

 

 

E vai um gorro

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Terminei-o hoje. Soube bem parar por algum tempo a camisola de torcidos que já me pesa imenso nos braços enquanto tricoto. Não gosto de ter vários projectos em execução ao mesmo tempo, mas a potencial chegada do tempo frio fez-me repensar as limitações desta filosofia e, pesados os prós e contras, cheguei à conclusão de que não seriam dois dias que iriam atrasar o avanço da camisola.

As instruções deste gorro sugerem que a peça seja executada em formato plano requerendo no fim uma costura atrás. Ora, não gosto nada de coser peças de malha e, por isso, ignorei as instruções e tricotei a peça com as agulhas de duas pontas. Foi feito com meio novelo (mais coisa, menos coisa) de Drops Big Delight e é 100% lã. O ideal para a proteger da nortada que fustiga esta zona e que se torna particularmente gélida na altura do Inverno.

4 meses sem açúcar

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É verdade, estou há 4 meses sem tocar em açúcar, não por ter visto algum documentário que faltava dos seus malefícios mas, sim, por ter desenvolvido uma qualquer intolerância ao açúcar refinado. Assim sendo, bolos ou biscoitos só se adoçados com mel. Com a chegada do Natal tenho andado a pensar no que poderei fazer para mim. Os restantes cá de casa vão ter direito a uma dose moderada de docinhos e já sei que me vai custar vê-los a comer chocolates e coisas de abrir o apetite. Como tal, experimentei há uns dias fazer um pão doce com nozes e cardamomo.

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Gostei imenso do resultado e uma colher de sopa de mel foi suficiente para sentir o sabor a doce. Se quiserem experimentar esta receita, caso tenham o paladar pouco sensível a subtilezas aconselho a que adicionem maior quantidade de mel ou outro qualquer adoçante.

Ingredientes:

145 gramas de polvilho doce;

260 gramas de farinha de arroz;

1 colher de sopa mal cheia de fermento em pó;

sal q/b;

120 gramas de nozes cortadas aos bocados;

3 vagens de cardamomo (abrir as vagens e moer bem as sementes);

1 dl e meio de água;

1 iogurte natural;

1 colher de sopa de azeite;

2 ovos grandes;

1 colher de sopa de mel (ou mais se for necessário).

Realização:

Misturar todos os ingredientes secos, nozes incluídas, e à parte misturar todos os ingredientes húmidos. Atenção, como se vai adicionar mel o melhor é juntar primeiro só 1 dl de água. O mel tem um elevado teor de humidade e se a massa ficar demasiado líquida não aguenta a sua forma e vai ficar uma bela bodega (perdão pela linguagem mas pão sem glúten a saber a palha é isso mesmo, uma bodega).

De seguida juntam-se os ingredientes húmidos aos secos e mistura-se bem com uma vara de arames (uso uma das varas da batedeira eléctrica). Se for necessário junta-se um pouco mais de água até a massa ficar bem misturada. O objectivo é que a vara consiga permanecer em pé dentro da massa. Se a massa ficar muito líquida não há outro remédio senão adicionar, aos poucos, farinha de arroz ou polvilho.

Coloca-se a massa num tabuleiro forrado com papel vegetal e vai ao forno a 200º durante 25 minutos. Depois retira-se e deixa-se arrefecer numa grelha. Não convém cortá-lo ainda quente. Como não tem glúten o pão dura cerca de um dia, dia e meio conforme o teor de humidade no ar.

Bom apetite!

 

 

Um pouco mais de um ano depois…

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É oficial, a C. já lê. Embora ainda lhe falte aprender alguns casos de leitura, intuitivamente consegue lê-los. Na passada sexta-feira leu “O Bolinha visita os avós” e no sábado começou a ler o livro “Frozen“.

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Para ela tem sido como uma prenda antecipada de Natal. O seu trabalho árduo foi recompensado. Sorrio ao lembrar-me das (poucas) vezes em que chorou por achar a leitura tão difícil.  “Será que alguma vez vou ser capaz de saber ler?”, perguntava-me com aqueles olhos grandes marejados de lágrimas.

Sinto-me a perpetuar o ciclo. Na escola a professora tinha-me considerado demasiado burra para aprender fosse o que fosse. Foi a minha mãe que me ensinou e me mostrou o prazer pela leitura. Todos os dias, à tarde, depois de passar a manhã na escola, esperava-me uma hora de trabalho com a minha mãe. A memória mais forte que tenho dessa altura é a de ver a minha mãe a passar a ferro na sala enquanto me ditava uma história, julgo que inventada por ela. Sentada no sofá, com o caderno no colo, escrevia o que ela me ditava. Depois esperava-me escrever correctamente cada palavra que tinha errado umas vintes vezes. Escusado será dizer que para escapar a tal “castigo” depressa aprendi a não dar erros e a minha mãe, por volta do fim do segundo ano, já não me fazia ditados. Muitas vezes li em voz alta histórias, com a minha mãe sentada ao meu lado ocupada com a sua “malha”. Corrigia-me sempre que necessário e nunca me dizia que estava a ler mal. “Estás a ir muito bem”, dizia-me ela, “Quanto mais leres e escreveres mais fácil fica”. E eis que agora digo o mesmo à minha filha. Ciclos destes valem a pena ser perpetuados ao longo de gerações. E se ainda não foram criados podem ser criados a qualquer momento. Basta que haja o querer.

Tricot e costura

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A camisola do marido está a avançar muito bem. Acho é que não vou conseguir terminá-la antes do Ano Novo…

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Recebi a encomenda da Senshoku (foi muito rápido, recomendo) e assim que a camisola sair das agulhas já tenho três projectos em lista de espera. Uma camisola, um par de luvas para a C. e para o marido.

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Está quase terminado o casaco impermeável para C. Falta terminar as bainhas e pespontar o casaco todo. E sim, os bolsos não ficaram grande coisa mas acho que para uma primeira vez não está nada mal.

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Buy nothing day

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Até cá em Portugal já temos o “Black Friday”. Só por email devo ter recebido mais de trinta convites para comprar desde pantufas a sofás com descontos simpáticos. Este convite ao consumo desenfreado é demente. Numa semana onde li que mais de um terço dos portugueses não consegue esticar o salário de forma a poder pagar contas básicas sou bombardeada com publicidade que me garante que se eu comprar o artigo x a 25% de desconto estarei a ser: inteligente, poupada e serei muito mais feliz. O que é certo é que toda a gente que cair no engodo deste dia e promoções futuras só vai atingir uma única coisa: ter menos dinheiro na conta bancária e poupança zero. Como infelizmente se compra cada vez mais e de pior qualidade (Primark, por exemplo) entra-se no ciclo vicioso de se ter de comprar mais para se poder substituir aquilo que nem um mês durou (ai a roupinha descartável). A conta bancária sofre e o ambiente também.

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Hoje celebra-se o dia internacional de protesto contra o consumo. Hoje também protesto porque o consumo desenfreado dos ocidentais já deixou as suas marcas no único planeta que se conhece que seja habitável. E é esse planeta que vou deixar à minha filha e aos meus potenciais netos e bisnetos. Pela vossa saúde e pela vossa liberdade financeira comprem menos e de forma inteligente. Agradeço em nome da minha filha e dos que cá estiverem daqui a 50 anos.

Planos e organização

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Geralmente não costumo fazer grandes planos escritos nem sou muito dada a esse tipo de organização de tarefas. Costumo organizar-me mentalmente e geralmente esse método corre bastante bem. Mas tendo a C. em ensino doméstico acabo por sentir a necessidade de ter um plano semanal onde sei, não só o que já foi trabalhado, como também o que faz sentido que se trabalhe de seguida. Parece-me mais fácil anotar tudo como uma espécie de sumário/planificação simplificada. Geralmente preparo  a semana anotando tudo a lápis que depois apago e procedo às alterações necessárias e escrevo em definitivo o que foi feito.

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Manter o registo diário também se torna vantajoso caso a escola me chame para apurar o progresso do trabalho feito em casa. Com estes registos e cadernos diários, que ela também tem, torna-se fácil comprovar o trabalho que tem sido efectuado.

Há duas semanas atrás a dentista da C. perguntava-me quantas horas por dia lhe ensinava. Pelas minhas contas o tempo de trabalho oscila entre uma a uma hora e meia. Antes de ontem trabalhei com ela a Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio numa hora. Prefiro usar pequenos blocos de 10 a 15/20 minutos por matéria pois sei bem que as crianças têm uma capacidade de concentração limitada. E acredito que pequenos blocos todos os dias são mais benéficos do que longas horas de trabalho.

Aos poucos, sem pressas, ela vai avançando e começa a gostar de ler e continua a adorar a viagem pelo mundo da Matemática.

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Ghee

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Adoro comida com especiarias. Desde a comida indiana, comida de inspiração árabe (faço um tagine de comer e chorar por mais) a comida asiática (menos sushi, isso dispenso) fico nas minhas “sete quintas” na cozinha a preparar as refeições. Em suma gosto de comer bem, e para isso acontecer tive de aprender a cozinhar bem e a seguir os livros de receitas a preceito. E antes que me digam que “Ah e tal, isso engorda!”, a fazer quase dois anos a comer bem, o que para mim significou livrar-me do que me fazia mal (glúten) e começar a explorar novos horizontes culinários para não cair na monotonia,  passei de um IMC de 40 para um IMC de 26. Repudio por completo as dietas parvas que só fazem as mulheres perderem peso demasiado depressa, que geralmente voltam a recuperar, para depois ficarem a chorar, e com razão, com o corpo descaído. É possível perder imenso peso devagar, sem passar fome e com um pouco de exercício físico (andar a pé também conta) à mistura. Apenas faço cerca de 10 minutos de exercícios de força por dia e tenho tido bons resultados.

E acabei por divagar porque quando comecei este post foi para falar da ghee ou manteiga clarificada. Sigo um método que vi num canal do Youtube. Coloco a manteiga numa caçarola em lume muito brando. À medida que vai derretendo e borbulhando retiro a espuma com uma escumadeira até que desapareça. Deixo a manteiga a borbulhar durante 40 minutos (e sempre em lume brando!). Após os 40 minutos, desligo o lume e deixo arrefecer um pouco. Depois filtro a ghee com um filtro de café. É um processo lento mas é o que me garante que não fico com uma ghee com resíduos de leite.

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Guardo-a no frigorífico e uso-a como substituta do azeite na maioria das comidas.  Geralmente dois pacotes de manteiga de 250 gramas cada um, rende cerca de 250 gramas de ghee.