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É oficial, a C. já lê. Embora ainda lhe falte aprender alguns casos de leitura, intuitivamente consegue lê-los. Na passada sexta-feira leu “O Bolinha visita os avós” e no sábado começou a ler o livro “Frozen“.

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Para ela tem sido como uma prenda antecipada de Natal. O seu trabalho árduo foi recompensado. Sorrio ao lembrar-me das (poucas) vezes em que chorou por achar a leitura tão difícil.  “Será que alguma vez vou ser capaz de saber ler?”, perguntava-me com aqueles olhos grandes marejados de lágrimas.

Sinto-me a perpetuar o ciclo. Na escola a professora tinha-me considerado demasiado burra para aprender fosse o que fosse. Foi a minha mãe que me ensinou e me mostrou o prazer pela leitura. Todos os dias, à tarde, depois de passar a manhã na escola, esperava-me uma hora de trabalho com a minha mãe. A memória mais forte que tenho dessa altura é a de ver a minha mãe a passar a ferro na sala enquanto me ditava uma história, julgo que inventada por ela. Sentada no sofá, com o caderno no colo, escrevia o que ela me ditava. Depois esperava-me escrever correctamente cada palavra que tinha errado umas vintes vezes. Escusado será dizer que para escapar a tal “castigo” depressa aprendi a não dar erros e a minha mãe, por volta do fim do segundo ano, já não me fazia ditados. Muitas vezes li em voz alta histórias, com a minha mãe sentada ao meu lado ocupada com a sua “malha”. Corrigia-me sempre que necessário e nunca me dizia que estava a ler mal. “Estás a ir muito bem”, dizia-me ela, “Quanto mais leres e escreveres mais fácil fica”. E eis que agora digo o mesmo à minha filha. Ciclos destes valem a pena ser perpetuados ao longo de gerações. E se ainda não foram criados podem ser criados a qualquer momento. Basta que haja o querer.

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