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Quando andei na escola primária não existia o ensino da Música nas escolas. Não havia muita coisa naquela altura. Existia, no entanto, a noção clara que algumas coisas eram de particular importância. Essas coisas eram a Língua Portuguesa e a Matemática. No meu tempo não me lembro de ter colegas que no 5.º ano dessem erros ortográficos por cada palavra escrita ou que não soubessem fazer uma conta de dividir. E não andei nas melhores escolas, muito pelo contrário.

Hoje, graças aos longos currículos, com objectivos ridículos, ainda se espera que a típica criança de primeiro ciclo termine o 1.º ano sabendo o que são segmentos de recta, adições até 100 (quando dei aulas, há muito tempo, no primeiro ciclo, a minha turma de 2.º ano ainda andava a aprender, no primeiro período, a subtracção até 20!), a ler como gente grande (basta darem uma vista de olhos aos manuais de Língua Portuguesa do 2.º ano para verem do que falo) e que ainda exista tempo para aprender Inglês (em algumas escolas começam logo no 1.º ano), educação Musical, educação Física (um paradoxo visto que destruíram os recreios escolares) e que seja apresentada ao mundo das Ciências. A isto tudo chama-se colocar o carro à frente dos bois. E os resultados desta insanidade há muito que está à vista.

Pessimismos à parte, comecei há cerca de um mês a dar aulas de educação Musical à C.. Ela tem adorado, especialmente a parte de meter as mãos na massa e de criar instrumentos musicais.

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Construção de um pau de chuva.

 Adquiri um manual de educação musical que além de fazer as delícias da pequenita parece-me estar muito bem organizado. Os cd’s que o acompanham são uma ferramenta pedagógica excepcional.

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Tem sido uma boa experiência. Tenho dado uso aos cd’s infantis que coleccionei desde que ela nasceu e tem sido bom abrir-lhe os horizontes musicais com Vivaldi, Tchaikovsky, Saint-Saens e outros.

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A minha formação musical é apenas auto-didacta. Só tive Educação Musical no 6.º ano e com horror, nessa altura, apercebi-me de que teria de aprender a tocar flauta em tempo recorde porque iria ser avaliada em poucas semanas. Tive de aprender sozinha, com a ajuda do manual e com a compreensão da minha mãe que teve aturar horas excruciantes de desafinanço absoluto. Mas aprendi e só não tirei a nota máxima porque não fazia a mínima do significado daquele sinal esquisito na pauta:

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É bom ser auto-didacta mas é óbvio que não se pode aprender aquilo que não se sabe que é necessário aprender. Quando não me lembro de algo resta-me estudar/rever teoria musical básica e aguardar que a C. demonstre interesse em aprender algum instrumento musical. Até lá, seguimos as orientações do Ministério da Educação.

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