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No mês passado cruzei-me com a existência de pastas de dentes em pó. A expressão que uso é um pouco confusa visto tratar-se apenas de pó e não de pasta. Até há menos de cem anos atrás as pastas de dentes como as conhecemos não existiam, ou eram raras, e os mais asseados usavam outras formas para lavar os dentes. Todos nós já vimos imagens de pessoas nos continentes asiático e africano a usarem paus para limparem os dentes. Aparentemente a prática de usar especiarias ou raízes moídas para limpar os dentes era comum um pouco por todo o mundo.

O oil pulling, por exemplo, uma prática antiga ayurvedica, é bastante eficaz para combater a gengivite e o mau hálito, isto apenas para nomear alguns dos seus benefícios. Costumo fazer oil pulling uma vez por semana e, de facto, nunca mais tive as gengivas inflamadas. Da mesma forma, o pó para lavar os dentes apresenta bons resultados em estudos clínicos:  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19192578

Como perceberam pela foto, criei a mistura em pó para lavar os dentes. Mas porquê? Porque motivo o fiz? Pelo prazer de experimentar. E até agora estou satisfeita e gosto dos resultados. A mistura em pó rende imenso e a médio prazo fica mais barata do que comprar pasta de dentes. Na realidade, poderia ter criado uma pasta de dentes caseira. São inúmeras as receitas para dentífricos caseiros mas infelizmente todos, ou quase todos, contém ingredientes que considero altamente abrasivos: bicarbonato de sódio ou sal. Existem relatos na blogosfera de pessoas que gastaram o esmalte dos dentes por usarem o bicarbonato de sódio e/ou sal nas suas pastas de dentes caseiras. Ou que ficaram com elevada sensibilidade dentária.

Relativamente às misturas em pó para lavar os dentes também me cruzei com receitas que refutei de imediato. São muitas as que usam bicarbonato de sódio, sal, argila branca bentonita…  Parecem-me ingredientes demasiado agressivos para serem usados na higiene dentária.

A receita que usei pareceu-me bastante inócua e após uma pesquisa acerca de cada um dos seus ingredientes meti mãos à obra. Após algumas semanas de uso verifiquei que as gengivas estavam a ficar irritadas. Descobri que quantidades grandes de canela irritam as mucosas da boca, incluindo as gengivas. Optei por diminuir a quantidade de canela. Esta é a receita actualizada:

2 colheres de sopa de canela em pó; 1 colher de chá de canela em pó;

1 colher de sopa de mirra em pó (moí a mirra no almofariz de pedra e depois usei uma peneira muito fina para separar o pó das pedrinhas que poderiam arranhar os dentes);

2 colheres de chá de alcaçuz em pó (usei um moinho de café para a moagem e depois peneirei tudo muito bem).

Junta-se tudo num recipiente pequeno e tapa-se. Para usar basta molhar a escova de dentes e usar uma colher pequena para colocar uma pequena quantidade na escova. Procede-se à escovagem dos dentes, como de costume, e bochecha-se muito bem a boca com água para limpar qualquer resíduo do pó. E pronto, é apenas isso.

Apenas uma ressalva importante: há pelo menos um caso em que a canela provocou irritação nas gengivas. Quem quiser usar a receita use-a por sua conta e risco mas com precaução. Ao menor indício de irritação ou outro efeito secundário estranho interromper o uso da mistura ou substituir a canela por outro ingrediente. Há quem use cravinho-da-India moído ou açafrão em pó.

Informação acerca da canela:

http://www.benefitsfromcinnamon.com/benefits/cinnamon-oil-for-cavities

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22783715

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