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No fim do mês de Maio do ano passado tomámos uma decisão que foi pensada e repensada ao ponto do excesso. Seríamos capazes de viver sem carro? Durante os anos passados numa casa arrendada numa zona dos subúrbios o carro foi uma ferramenta indespensável. Os transportes públicos eram quase inexistentes e a única opção válida era uma estação de metro que ficava a 20 minutos de distância. As compras tinham de ser feitas nos hipermercados porque, na zona, não havia uma única mercearia. Tudo ficava longe e ficar sem carro era o mesmo que ficarmos reféns daquela pequena vila.

Quando mudámos para esta casa levámos tempo a nos habituar à ideia de termos transportes públicos, hipermercados e comércio tradicional a dois passos de casa. Com o passar do tempo a mensalidade da garagem (35 euros por mês) mais as despesas totais com o carro começaram a pesar na carteira. O carro já não era aquela ferramenta necessária. Começava a ser um meio para perder dinheiro uma vez que ficava parado o tempo quase todo. O meu marido começou a ir para o trabalho a pé, uns meros vinte minutos e as idas aos centros comerciais tornaram-se desnecessárias.

Quase 9 meses depois quais os benefícios de tal decisão?

  • Poupança efectiva de dinheiro relativamente a seguro, imposto de selo, manutenção, combustível e garagem;
  • Um retorno a uma vida activa: o meu marido vai de bicicleta para o trabalho e as compras são feitas com recurso ao meio de locomoção mais antigo: andar a pé;
  • Poupamos dinheiro ao comprar no comércio tradicional visto os preços serem mais baixos do que os praticados nas grandes superfícies. A qualidade é claramente mais elevada;
  • Por incrível que pareça passeamos mais não só a pé, como de metro ou de autocarro;
  • O benefício para a nossa filha é evidente: não só anda muito mais e com cinco anos já é capaz de percorrer distâncias superiores a 1km sem se cansar. A experiência de andar de autocarro ou de metro é bastante enriquecedora para ela. Vê sempre pessoas e aprende um certo “savoir faire” que não aprenderia se andasse sempre de carro;
  • Redescobrimos o prazer de andar à chuva com impermeáveis, galochas e guarda-chuvas;
  • Por último, e não menos importante, a diminuição da emissão de poluição é bastante óbvia.

Há desvantagens? Sim, há. A única que me ocorre é termos de planear antecipadamente as viagens longas. Temos de ponderar sempre a viabilidade de ir de transportes públicos ou a necessidade de alugar uma viatura. Quando se trata de distâncias mais curtas e urgentes já tivemos de usar o serviço de táxis que, numa situação sem carro, é claramente uma opção menos dispendiosa e muito prática. Mesmo que tivessemos de usar o serviço de táxis uma vez por mês o valor total não chegaria ao valor mensal que teríamos de pagar pela garagem, caso tivessemos mantido o carro.

Deixo-vos para visualização uma emissão do programa Sociedade Civil que foi dedicado ao tema de viver sem carro. Antes de terminar julgo que é importante reforçar um último facto: é possível viver sem carro caso se viva numa zona com boa rede de transportes públicos. Infelizmente, na maioria do país o carro é uma necessidade absoluta e, como tal, uma clara vantagem.

 

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