I want a little sugar in my bowl

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Há uns meses comecei a reparar que algo de errado acontecia sempre que consumia algo com açúcar. Ficava com sintomas semelhantes aos de ter ingerido glúten. Após várias experiências, não fosse estar completamente equivocada quanto ao agressor, cheguei à conclusão de que só poderia ser o açúcar. Resultado, ando há umas semanas sem consumir açúcar para evitar todos aqueles sintomas terríveis. No entanto, não compreendia como poderia  algo como o açúcar provocar tais sintomas. O açúcar não tem glúten por isso tal possibilidade foi logo eliminada. Sei que em pessoas susceptíveis causa inflamação e isso, durante algum tempo, satisfez a minha necessidade de respostas. Tudo corria bem até ter  tropeçado neste estudo.

“Glyphosate residues in wheat and other crops are likely increasing recently due to the growing practice of crop desiccation just prior to the harvest. We argue that the practice of “ripening” sugar cane with glyphosate may explain the recent surge in kidney failure among agricultural workers in Central America.”

A cana de açúcar passa por um processo de secagem usando o glifosato, componente activo do herbicida Roundup. Ou seja, todos aqueles pacotes de açúcar no supermercado têm glifosato que, por sua vez, provoca uma miríade de doenças. O bastonário da Ordem dos Médicos ainda alertou este ano para os problemas do seu uso/consumo:

““Na última década, a aplicação de glifosato em Portugal aumentou cerca de 50%, com 1 400 toneladas usadas só em 2010. O resultado é que já é detetado em análises de rotina aos alimentos, ao ar, à água da chuva e dos rios, à urina, ao sangue e até ao leite materno”, explicava o bastonário na revista da Ordem dos Médicos, no ano passado, quando o glifosato entrou para a lista das substâncias “potencialmente cancerígenas” da Organização Mundial de Saúde. Com o prazo para a renovação da licença de comercialização prestes a expirar, as posições pró e contra este herbicida têm-se extremado e até a credibilidade da classificação da OMS tem sido posta em causa – apesar de ter sido tomada por unanimidade, depois de avaliada a investigação científica publicada, ligando o herbicida ao aumento da incidência de cancro, doença celíaca, infertilidade, malformações congénitas, doença renal e autismo.”

E sim, os casos de doença celíaca têm estado a aumentar de uma forma incrível deitando por terra o mito de se tratar de uma doença rara.

“Gluten intolerance is a growing epidemic in the U.S. and, increasingly, worldwide.(…)Some have suggested that the recent surge in celiac disease is simply due to better diagnostic tools. However, a recent study tested frozen sera obtained between 1948 and 1954 for antibodies to gluten, and compared the results with sera obtained from a matched sample from people living today (Rubio-Topia et al., 2009). They identified a four-fold increase in the incidence of celiac disease in the newer cohort compared to the older one. They also determined that undiagnosed celiac disease is associated with a 4-fold increased risk of death, mostly due to increased cancer risk. They concluded that the prevalence of undiagnosed celiac disease has increased dramatically in the United States during the past 50 years.”

Nos últimos anos tenho lido artigos de opinião onde se fala de forma jocosa da nova moda do “sem glúten”. Lamento imenso que não seja apenas uma moda dietética. Seria muito bom que assim fosse pois significaria que não existiria tanta gente não diagnosticada a sofrer de inúmeros problemas de saúde. A doença celíaca e intolerância ao glúten é séria e provoca danos terríveis.

Por agora continuo a não consumir açúcar porque das duas uma, ou é mero processo inflamatório ou o meu corpo está demasiado sensível e reage ao glifosato. E que faz mesmo o glifosato para que provoque doença celíaca?

“A recent study on glyphosate exposure in carnivorous fish revealed remarkable adverse effects throughout the digestive system (Senapati et al., 2009). The activity of protease, lipase, and amylase were all decreased in the esophagus, stomach, and intestine of these fish following exposure to glyphosate. The authors also observed “disruption of mucosal folds and disarray of microvilli structure” in the intestinal wall, along with an exaggerated secretion of mucin throughout the alimentary tract. These features are highly reminiscent of celiac disease. Gluten peptides in wheat are hydrophobic and therefore resistant to degradation by gastric, pancreatic and intestinal proteases (Hershko & Patz, 2008). Thus, the evidence from this effect on fish suggests that glyphosate may interfere with the breakdown of complex proteins in the human stomach, leaving larger fragments of wheat in the human gut that will then trigger an autoimmune response, leading to the defects in the lining of the small intestine that are characteristic of these fish exposed to glyphosate and of celiac patients.”

Resta-me procurar açúcar biológico e certificar-me que as marcas de arroz e de farinha que consumo não receberam tratamento com Roundup. Se ainda consumisse trigo iria sem dúvida optar por farinha biológica de agricultura devidamente certificada (neste mundo da alimentação biológica há muita coisa que não é o que parece). Entretanto, e lamentavelmente, o Estado Português acha muito bem que os portugueses fiquem gravemente doentes e ainda não baniu o uso do herbicida em território português.

Eu cá, só  queria era mesmo um bocadinho de açúcar.

Mais um vestido

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Nos últimos meses tenho a consciência de que opto sempre por usar roupa velha, larga e pouco interessante para usar em casa. Quando saio à rua uso sempre roupa com a qual me sinta bem e apresentável. Qual o motivo para isso? Existirá alguma regra invisível que defina que roupa bonita só pode ser usada fora de casa? Cheguei ao ponto de ruptura no mês passado. Decidi que tinha de fazer roupa decente para andar em casa. Honestamente estava a atrofiar com as calças de ginástica e as t-shirts largueironas. Olhava-me ao espelho e…

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Julgo que acabei por tropeçar na ideia de que quem passa boa parte do tempo em casa não precisa de se cuidar e muito menos usar roupa bonita. A não ser para sair à rua. E mesmo aí é preciso ter cuidado. Se uma mulher não trabalha fora de casa (entenda-se por: não ganha dinheiro) e sai à rua muito bem aprumada só pode ser uma dondoca que está a usar o marido. Se usa jeans e t-shirt é obviamente uma matrafona e está à espera de ficar sem o marido. São generalizações absurdas que toda a gente conhece e que, na maioria dos casos, reflectem o pensamento da sociedade.

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No entanto, a forma como nos cuidamos é o reflexo do respeito que sentimos por nós próprios. Se nos respeitarmos iremos cuidar de nós. Se acharmos que o nosso valor é reduzido entramos num processo de auto-eliminação. Quantas vezes achei que era mais importante fazer/comprar roupa bonita para a minha filha? E talvez seja este um dos maiores desafios da maternidade e da vida adulta, encontrar o equilíbrio. Não cair em extremos e em excessos. Saber escapar à terra árida do desleixo e, ao mesmo tempo, evitar as promessas fúteis e vãs da juventude e beleza eternas.

Conversas à parte, optei por fazer um vestido traçado da Burda deste mês para inaugurar um guarda-roupa de andar por casa que me agrade e me faça sentir bem.O modelo escolhido foi o 126 – 07/2016.

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A execução foi relativamente simples e optei por não colocar fecho visto o tecido ter elasticidade. Foi uma boa escolha pois consigo vesti-lo sem qualquer dificuldade. O problema óbvio são os ombros. Cortei o tamanho 46 e os ombros são claramente grandes. Aliás, o decote abre demasiado (embora não se note na foto) e tenho tecido a mais na zona das cavas. Deveria ter cortado um tamanho abaixo para a parte de cima do vestido. No entanto, gosto imenso do resultado final. O tecido é muito suave e fresquinho e é uma mudança agradável não ter de usar sempre calças de ginástica e t-shirts sem graça.

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Vestido de Verão

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Há pouco mais de dois anos atrás comprei o Moneta Dress Pattern e fiz o primeiro vestido. Hoje apresento-vos o segundo vestido e a prova em como também sou capaz de escolher tecidos lisos para fazer roupa. Quando vejo os tecidos que tenho comprado ao longo do tempo percebo que tenho uma inclinação óbvia por estampados e tecidos floridos. Este Verão, e já que precisava de fazer roupa porque nada me serve do ano passado, decidi que iria comprar alguns tecidos sem estampados. Confesso que não desgosto mas acho que gosto demasiado de estampados para me render a um guarda-roupa de cor lisa.

Fiz o tamanho L e não precisei de fazer qualquer alteração ao molde. No entanto, começo a ter dúvidas consoante aos acabamentos sugeridos nas instruções e, se de facto, valeria a pena agora comprar um molde tão simples. De futuro irei ter mais cuidado com estes moldes indie. Ou isto sou eu a falar com a mente toldada depois de ter visitado este fórum. Cretinices à parte acho que não deixam de ter razão.

Murta

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Encontrei-a no mercado e após perguntar se aguentava sol directo trouxe-a para casa. Ando a tentar transformar as varandas em mini-oásis de vegetação e depois da hortênsia parece-me que a murta terá o potencial de ser um belo arbusto daqui a alguns anos. Até lá é só esperar.

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Antes de terminar deixo aqui a receita do pão sem glúten que julgava já ter partilhado.

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Gluten – Free Italian: Over 150 Irresistible Recipes Without Wheat–from Crostini to Tiramisu – Jacqueline Mallorca

Slow-food ou fast-food caseira

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É a segunda vez que faço comida de fast-food em casa. Comer no Mcdonalds, mesmo com a perspectiva de terem menus para celíacos não me convence. Fora as razões éticas tenho preocupações com as farinhas preparadas sem glúten que existem à venda. Os ingredientes não me parecem normais e pergunto-me qual o motivo para cobrarem tanto por farinhas feitas quase em exclusivo com amido de milho.

Além de fazer o pão em casa já arranjei forma de fazer pizza caseira com farinhas que se encontram facilmente no supermercado e também consegui fazer uma tarte com sucesso. Honestamente não há necessidade de gastar uma quantidade ridícula de dinheiro com farinhas preparadas sem glúten.

Ontem foi dia de fazer novamente um hambúrguer Vitello Tonnato. Há cerca de um mês vi esta receita no canal MCS Lifestyle e não descansei enquanto não comprei os ingredientes todos para a executar.

Preparei os hambúrgueres de carne de vaca com os ingredientes pedidos e o molho de atum.

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Para o pão usei a receita que aqui já partilhei e coloquei a massa em formas de tarteletes para conseguir obter a forma desejada.

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O resultado foi delicioso e do agrado de toda a gente. Slow-food feita em casa sem glúten e, na minha humilde opinião, de qualidade superior.

 

Primavera e fadas

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Por aqui não há sinais de Verão e a Primavera tem sido peculiar. Aliás, o tempo tem andado estranho. Uma semana antes do Natal os termómetros indicavam 20 graus. Nem mais e nem menos. 20 graus em pleno mês de Dezembro! Como tal, e poderei estar muito enganada, mas é bem provável que o Verão apareça mais tarde pelas terras do Norte. Na pior das hipóteses poderá nem vai aparecer, mas prefiro nem sequer pensar nisso.

Dadas tais condições atmosféricas a C. pediu-me um vestido de andar por casa com manga comprida. E sabia bem qual o tecido que queria. Comprei-o há um ano, suponho, na Feira dos Tecidos. É um tecido jersey fino cheio de fadas borboletas ou de borboletas fadas. Nem sei bem o que são. Ela diz que são fadas e nestes assuntos a mente infantil é autoridade.

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A minha escolha recaiu sobre o modelo Busy Forest da revista para crianças Ottobre 4/2015. A execução foi muito rápida, tendo em conta que não tenho uma máquina overlock. O ponto ziguezague é, nestas alturas, o meu melhor amigo. Não incluí os bolsos e finalizei o decote de maneira diferente. Apesar da falta de bolsos é o “vestido mais lindo para andar em casa”, confiando nas suas palavras entusiásticas.

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E sim, as fadas/borboletas ficaram ao contrário nos punhos. Ainda bem que é apenas um vestido para andar em casa…😛

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