Buy nothing day

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Até cá em Portugal já temos o “Black Friday”. Só por email devo ter recebido mais de trinta convites para comprar desde pantufas a sofás com descontos simpáticos. Este convite ao consumo desenfreado é demente. Numa semana onde li que mais de um terço dos portugueses não consegue esticar o salário de forma a poder pagar contas básicas sou bombardeada com publicidade que me garante que se eu comprar o artigo x a 25% de desconto estarei a ser: inteligente, poupada e serei muito mais feliz. O que é certo é que toda a gente que cair no engodo deste dia e promoções futuras só vai atingir uma única coisa: ter menos dinheiro na conta bancária e poupança zero. Como infelizmente se compra cada vez mais e de pior qualidade (Primark, por exemplo) entra-se no ciclo vicioso de se ter de comprar mais para se poder substituir aquilo que nem um mês durou (ai a roupinha descartável). A conta bancária sofre e o ambiente também.

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Hoje celebra-se o dia internacional de protesto contra o consumo. Hoje também protesto porque o consumo desenfreado dos ocidentais já deixou as suas marcas no único planeta que se conhece que seja habitável. E é esse planeta que vou deixar à minha filha e aos meus potenciais netos e bisnetos. Pela vossa saúde e pela vossa liberdade financeira comprem menos e de forma inteligente. Agradeço em nome da minha filha e dos que cá estiverem daqui a 50 anos.

Planos e organização

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Geralmente não costumo fazer grandes planos escritos nem sou muito dada a esse tipo de organização de tarefas. Costumo organizar-me mentalmente e geralmente esse método corre bastante bem. Mas tendo a C. em ensino doméstico acabo por sentir a necessidade de ter um plano semanal onde sei, não só o que já foi trabalhado, como também o que faz sentido que se trabalhe de seguida. Parece-me mais fácil anotar tudo como uma espécie de sumário/planificação simplificada. Geralmente preparo  a semana anotando tudo a lápis que depois apago e procedo às alterações necessárias e escrevo em definitivo o que foi feito.

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Manter o registo diário também se torna vantajoso caso a escola me chame para apurar o progresso do trabalho feito em casa. Com estes registos e cadernos diários, que ela também tem, torna-se fácil comprovar o trabalho que tem sido efectuado.

Há duas semanas atrás a dentista da C. perguntava-me quantas horas por dia lhe ensinava. Pelas minhas contas o tempo de trabalho oscila entre uma a uma hora e meia. Antes de ontem trabalhei com ela a Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio numa hora. Prefiro usar pequenos blocos de 10 a 15/20 minutos por matéria pois sei bem que as crianças têm uma capacidade de concentração limitada. E acredito que pequenos blocos todos os dias são mais benéficos do que longas horas de trabalho.

Aos poucos, sem pressas, ela vai avançando e começa a gostar de ler e continua a adorar a viagem pelo mundo da Matemática.

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Ghee

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Adoro comida com especiarias. Desde a comida indiana, comida de inspiração árabe (faço um tagine de comer e chorar por mais) a comida asiática (menos sushi, isso dispenso) fico nas minhas “sete quintas” na cozinha a preparar as refeições. Em suma gosto de comer bem, e para isso acontecer tive de aprender a cozinhar bem e a seguir os livros de receitas a preceito. E antes que me digam que “Ah e tal, isso engorda!”, a fazer quase dois anos a comer bem, o que para mim significou livrar-me do que me fazia mal (glúten) e começar a explorar novos horizontes culinários para não cair na monotonia,  passei de um IMC de 40 para um IMC de 26. Repudio por completo as dietas parvas que só fazem as mulheres perderem peso demasiado depressa, que geralmente voltam a recuperar, para depois ficarem a chorar, e com razão, com o corpo descaído. É possível perder imenso peso devagar, sem passar fome e com um pouco de exercício físico (andar a pé também conta) à mistura. Apenas faço cerca de 10 minutos de exercícios de força por dia e tenho tido bons resultados.

E acabei por divagar porque quando comecei este post foi para falar da ghee ou manteiga clarificada. Sigo um método que vi num canal do Youtube. Coloco a manteiga numa caçarola em lume muito brando. À medida que vai derretendo e borbulhando retiro a espuma com uma escumadeira até que desapareça. Deixo a manteiga a borbulhar durante 40 minutos (e sempre em lume brando!). Após os 40 minutos, desligo o lume e deixo arrefecer um pouco. Depois filtro a ghee com um filtro de café. É um processo lento mas é o que me garante que não fico com uma ghee com resíduos de leite.

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Guardo-a no frigorífico e uso-a como substituta do azeite na maioria das comidas.  Geralmente dois pacotes de manteiga de 250 gramas cada um, rende cerca de 250 gramas de ghee.

 

 

De volta às agulhas

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Retomei a camisola que estava em suspenso há mais de dois anos. É uma camisola de torcidos tricotada em modo circular. A vantagem do tricot circular é a de não ter costuras. Ou seja, embora uma volta leve o dobro a ser feita (cada volta tem quase 300 malhas)  no final o trabalho de costura é muito reduzido. Geralmente são as costuras que fazem com que muita gente fuja a sete pés do tricot. Nesse caso, optar por projectos circulares alivia a ansiedade e o temor das agulhas de costura.

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Gostaria imenso de conseguir terminar a camisola antes do Ano Novo. Decidi tricotar todos os dias, nem que seja apenas uma volta, até porque tenho outros projectos em lista de espera (e não, não estão nas agulhas). Pela primeira vez só tenho um trabalho a ser tricotado. Funciono melhor assim porque sinto que me perco imenso se tiver imensas coisas já iniciadas. Descobri uma loja online de lãs graças ao blogue Mãos de Vera. Fiquei de queixo caído ao verificar que não só vendem as lãs da Drops como vendem todas as cores. Sim, t-o-d-a-s! Finalmente vou poder seguir o esquema de cores sugeridos. Um dos projectos em lista de espera é este:camisola.PNG

Mas antes desta camisola amorosa vou tricotar um gorro em lã para a C. O novelo está escolhido, as agulhas já foram tiradas da lata (sim, arrumo as agulhas numa antiga lata de biscoitos) e só preciso de comprar um conjunto de agulhas 5,5mm para meter mãos à obra.

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Até à próxima e agasalhem-se bem!🙂

 

Ciência em casa

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O que acontece quando se colocam flores brancas em copos de água com corante alimentar? E o que acontecerá a uma rosa branca cujo caule foi dividido ao meio e agora “bebe” de dois copos com cores diferentes?

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São a estas as perguntas que a C. espera obter respostas daqui a alguns dias. Tenho encontrado imensas sugestões de actividades científicas no Pinterest. Incluindo como fazer catapultas! Outro sítio interessante é este. Este é mais virado para a Química e tem uma experiência que tenciono fazer em breve.

O M.E. também disponiliza documentos de suporte ao ensino experimental das Ciências no primeiro ciclo. Poderão encontrá-los aqui.

Blusa burda 121 -10/2016

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Terminei esta blusa há quase um mês. Tenho outra quase terminada e falta-me colocar o forro num casaco que fiz para a C.. De resto não tenciono fazer mais peças de roupa (talvez umas calças de fazenda) pois estou é com vontade de tricotar. O Inverno está a chegar e o apelo das lãs começa a ser demasiado forte para poder ser ignorado.

Comprei o tecido na Feira dos Tecidos e escolhi o modelo 121 da Burda de Outubro. Cortei o número 44 e não precisei de fazer qualquer alteração. Mentira, alterei a forma como as pregas ficam. Preferi metê-las para dentro porque com o tamanho de copa que tenho já estava a imaginar ficar com um efeito de extra-volume abaixo da linha do busto.

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Aqui dá para ver o efeito da pregas na zona abaixo do busto. Peço desculpa pela claridade. Pelos vistos não se pode tirar fotos ao pé de uma janela…

Quanto a desgraças: levei cerca de uma semana até conseguir colocar as mangas. A primeira manga desmanchei-a, sem exagero, umas dez vezes. Por mais que tentasse parecia estar fadada a deitar tudo fora porque a manga ao ser costurada ficava cheia de preguinhas horríveis. Nunca me tinha acontecido tal coisa. Uma coisa é ter de desmanchar o trabalho umas duas ou três vezes. Agora dez?! Enfim, no meio de tanto desespero lá consegui algo minimamente decente. Digo minimamente porque no meu episódio de atrofio mental acabei por esticar o tecido e digamos que a blusa só pode ser usada com um casaquito de malha por cima…

Como já não é a primeira vez que costuro com este tipo de tecido de seda (?)/cetim (?) usei umas agulhas microtex que comprei na tecidos.com.pt. As costuras ficam perfeitas e não ficam a repuxar como costumava acontecer quando usava agulhas normais.

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Constipações, roupa de boneca e joaninhas brancas

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Ou apenas um título convertido em sumário dos últimos dias. Desde ontem que a C. está doente e até teve direito a uma visita da médica. Não é nada de grave e nos próximos dias já estará como boa. Como ontem ficou super triste por não ter ido à aula de dança decidi mimá-la com um casaquinho de malha para a boneca. Agora entendo por que motivo existem tantos blogues e fóruns dedicados a costureiras/tricotadeiras entusiastas de bonecas. As roupas fazem-se num instante! Acho que nunca tinha tricotado uma peça de tricot em tão pouco tempo. Se conseguisse tal feito a tricotar para gente grande…

Numa  nota mais surpreendente, pelo menos para mim, descobri que existem joaninhas brancas! Encontrei ontem uma na marquise:

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Não deixa de ter piada que agora que vivo numa cidade é que ando a ver bichos que desconhecia. Há uns dias dei de caras com um escaravelho enorme. Quer dizer, acho que era um escaravelho… Possivelmente seria outra coisa qualquer. Peguei nele, atirei-o pela janela e foi embora a voar. Ainda na semana passada tive de retirar uma abelha e uma vespa da marquise. Nem quando vivia rodeada de milheirais tinha tantas visitas destas. Vá-se lá entender isto…

Educação Musical

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Quando andei na escola primária não existia o ensino da Música nas escolas. Não havia muita coisa naquela altura. Existia, no entanto, a noção clara que algumas coisas eram de particular importância. Essas coisas eram a Língua Portuguesa e a Matemática. No meu tempo não me lembro de ter colegas que no 5.º ano dessem erros ortográficos por cada palavra escrita ou que não soubessem fazer uma conta de dividir. E não andei nas melhores escolas, muito pelo contrário.

Hoje, graças aos longos currículos, com objectivos ridículos, ainda se espera que a típica criança de primeiro ciclo termine o 1.º ano sabendo o que são segmentos de recta, adições até 100 (quando dei aulas, há muito tempo, no primeiro ciclo, a minha turma de 2.º ano ainda andava a aprender, no primeiro período, a subtracção até 20!), a ler como gente grande (basta darem uma vista de olhos aos manuais de Língua Portuguesa do 2.º ano para verem do que falo) e que ainda exista tempo para aprender Inglês (em algumas escolas começam logo no 1.º ano), educação Musical, educação Física (um paradoxo visto que destruíram os recreios escolares) e que seja apresentada ao mundo das Ciências. A isto tudo chama-se colocar o carro à frente dos bois. E os resultados desta insanidade há muito que está à vista.

Pessimismos à parte, comecei há cerca de um mês a dar aulas de educação Musical à C.. Ela tem adorado, especialmente a parte de meter as mãos na massa e de criar instrumentos musicais.

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Construção de um pau de chuva.

 Adquiri um manual de educação musical que além de fazer as delícias da pequenita parece-me estar muito bem organizado. Os cd’s que o acompanham são uma ferramenta pedagógica excepcional.

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Tem sido uma boa experiência. Tenho dado uso aos cd’s infantis que coleccionei desde que ela nasceu e tem sido bom abrir-lhe os horizontes musicais com Vivaldi, Tchaikovsky, Saint-Saens e outros.

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A minha formação musical é apenas auto-didacta. Só tive Educação Musical no 6.º ano e com horror, nessa altura, apercebi-me de que teria de aprender a tocar flauta em tempo recorde porque iria ser avaliada em poucas semanas. Tive de aprender sozinha, com a ajuda do manual e com a compreensão da minha mãe que teve aturar horas excruciantes de desafinanço absoluto. Mas aprendi e só não tirei a nota máxima porque não fazia a mínima do significado daquele sinal esquisito na pauta:

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É bom ser auto-didacta mas é óbvio que não se pode aprender aquilo que não se sabe que é necessário aprender. Quando não me lembro de algo resta-me estudar/rever teoria musical básica e aguardar que a C. demonstre interesse em aprender algum instrumento musical. Até lá, seguimos as orientações do Ministério da Educação.

As árvores e nós

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Enquanto costuro tenho aproveitado para ouvir vídeos sobre educação e psicologia. Quando encontro algo que considero de valor gosto de partilhar. Há alguns anos atrás ouvi falar do livro “Hold on to your children”. Na altura li o resumo e não pensei muito no assunto. A C. ainda era muito pequenina e o mundo da maternidade estava restringido à amamentação, mudança de fraldas e aos primeiros passos. Na semana passada encontrei um vídeo interessante e por o considerar importante decidi partilhá-lo.

Gordon Neufeld refere que tal como não existem árvores demasiado seguras à terra também não existem filhos com laços demasiado fortes aos pais/cuidadores. De facto, existem crianças e adolescentes sem laços sólidos com a família  e que só podem contar, na maioria das vezes, com as relações voláteis com outros adolescentes/crianças. Como tal, são inseguros, propensos à violência, a relações tóxicas e a outros problemas que são mencionados no vídeo. O autor refere como sofreu bullying na escola e que ao contrário do que se possa pensar, conseguiu ultrapassar isso sem grandes mazelas e com a auto-estima intacta. O que foi que permitiu a sua sobrevivência mental e emocional sem nunca duvidar de si próprio? A resposta é clara: a ligação emocionalmente forte que tinha com a mãe e com uma professora. Elas eram os alicerces do seu mundo. Seremos nós também os alicerces emocionais dos nossos filhos e do mundo em que eles vivem?

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Poderia falar mais sobre a palestra mas aconselho a visualização do vídeo “Kids need us more than friends” e se quiserem saber mais sobre o autor deixo aqui o link para o seu instituto: http://neufeldinstitute.org/

 

Geoplano

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Hoje encontrei um ficheiro de actividades para geoplano que me parece muito útil e divertido. Custa apenas 4 dólares, um preço que considero acessível. A C. já fez algumas das actividades e adorou. Comprei os elásticos na Tiger por dois euros. Cem gramas de elásticos coloridos de vários tamanhos, essenciais para usar no geoplano.

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A Matemática tem sido, até agora, uma boa experiência. Optei por usar o Método de Singapura e o de Shanghai, em vez de seguir o manual da escola onde ela está inscrita. Os manuais portugueses, além de terem um valor que considero absurdo (sei que este ano foram gratuitos mas a qualidade deixa muito a desejar), não apresentam a metodologia que vejo presente dos métodos acima enunciados. Não entendo por que motivo os livros de exercícios que acompanham os manuais têm um número muito limitado de exercícios. Por um preço bastante acessível adquiri livros de exercícios aqui e aqui, que contêm uma quantidade considerável de exercícios permitindo a consolidação de cada conteúdo. Aqui está algo que é impossível de atingir nas nossas escolas com a carga curricular que é imposta. A Matemática, ao contrário de outras disciplinas, exige bases sólidas. E só se consegue tal feito com prática constante. Em cada ano lectivo muitos alunos transitam com graves dificuldades a Matemática porque não lhes deram nem tempo nem oportunidades para adquirirem a mestria necessária para enfrentarem com serenidade a crescente dificuldade da disciplina ao longo dos anos. É por isso que concordo plenamente com Sal Khan que aponta o dedo ao sistema de ensino que apenas prepara alunos para a realização de testes e não para o domínio/compreensão dos conteúdos.