Taqui

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A Diana do blogue Taqui após ler  o meu texto “Não pode protegê-la para sempre!” pediu-me para escrever algo que não só focasse o ensino doméstico, como também a questão do bullying nas escolas. Tenho a plena noção de ter uma visão muito particular acerca destas duas temáticas. E sei que muitos não irão concordar com a minha perspectiva, especialmente no que toca ao ensino em casa. A este respeito julgo que algum dia acabarei por fazer jorrar em palavras escritas tudo aquilo que considero errado em termos de teorias “(não) educacionais” que proliferam na internet. Até lá, e porque agora tenho de ir dar instrução à minha filha,  convido-vos a visitar o blogue da Diana.

Boas leituras!

Para quando o Inverno chegar

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Andava de olho há muito num vestido de criança que vi na Burda 08/2014 e após me ter assegurado que a C. aprovava avancei prontamente. Acho que fui enganada pelo vestido e acabei por não prestar muita atenção ao desenho técnico. Se repararem o vestido parece ser mais estreito na cintura ao contrário do desenho técnico.

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O vestido que fiz encaixa na perfeição na silhueta do desenho técnico. Tem um aspecto muito mais largo o que me surpreendeu assim que a C. o vestiu. Nota mental: prestar mais atenção aos desenhos técnicos.

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A raposa foi feita com tecido de feltro e os olhos foram bordados. Para o tecido da saia usei um resto de bombazine e para a parte de cima comprei um tecido sweatshirt super fofinho na Tecidos.com.pt.

 

Mercado vs Supermercado

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Toda a fruta que tenho em casa foi comprada no mercado. Aliás, a maioria dos frescos vem de lá, proteína animal incluída. Durante muito tempo achei que os preços lá praticados se deviam apenas a alguma chico-espertice de quem cobra couro e cabelo por algo que se compra por quase tuta e meia num hiper/supermercado. Com o tempo comecei a colocar em causa se o custo do barato valeria assim tanto a pena. Desde hortaliça que é incapaz de durar mais de três dias no frigorífico, a carne em más condições de ser consumida (a última vez foi um coelho peganhento e com péssimo cheiro) e peixe de aquicultura a saber a hortelã-menta. Ainda me falta referir um episódio onde comprei moelas num talho muito famoso da zona, congelei-as e quando as decidi usar, poucos dias depois, cheiravam a podre. Explicação: é hábito descongelarem e venderem como se fosse produto fresco…

Por enquanto não tive más experiências no mercado e aqueles morangos da foto, sabem, cheiram divinalmente. Com cheiro idêntico só mesmo os moranguitos que vão surgindo de forma muito tímida nas minhas varandas. O tempo não tem ajudado. E por enquanto é o único sítio onde encontro pak choys e cogumelos de toda a variedade e feitio a dois passos de casa. Por isso, entre barato e mau e um pouco mais caro, mas acessível e bom é evidente para que lado a balança pende.

“Não pode protegê-la para sempre!”

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–  A sua filha vai este ano para a escola não é? Para que escola ela vai?

– Ela está inscrita em Ensino Doméstico na escola —–.

– Ensino Doméstico? Já tinha ouvido falar… Mas a senhora por acaso é professora?

– Por acaso até sou. Dei aulas até ela nascer e depois optei por abandonar o ensino.

– Ah, mas sabe, não pode protegê-la para sempre.

– Está a falar de bullying?

Ela fez que sim com a cabeça.

– Sei que existe e tomei conhecimento de coisas extremamente graves enquanto leccionei, no entanto as minhas razões são outras e que se prendem mais com o sistema de ensino em geral.

– Mas que razões são essas?

– Olhe, prefiro não falar sobre isso. Há muita coisa que está errada e com a qual não concordo mas não me sinto à vontade para lhe contar o que se passa dentro das salas de aulas.

A partir deste momento a minha interlocutora começou a demonstrar alguma inquietação por ter razões que não quis expor e muitos menos enumerar. Não me compete dizer a pais/mães que confiam no sistema de ensino público que esse mesmo sistema está a falhar, na sua generalidade, comprometendo seriamente a possibilidade de alguma vez poder ser criado um ensino de qualidade. Não me compete informar quais as dificuldades que os professores enfrentam devido à indisciplina, pais problemáticos, direcções assoberbadas com exigências do ministério e a própria incoerência de sucessivas equipas ministeriais. Os problemas não se resolvem com reformas mais ou menos mal delineadas mas sim com uma mudança total de rumo.

Além deste tema que preferi evitar, achei interessante que enviar um filho para a escola seja uma forma de “não proteger para sempre”. E que o “não proteger para sempre” se traduza em permitir que os filhos possam sofrer situações de bullying. Muito se tem falado deste tema e parece-me que há algo que muitos comentadores de cadeirão desconhecem. A escola mudou. Os miúdos também mudaram. Há 10 anos atrás os miúdos nas escolas de primeiro ciclo já não sabiam saltar ao elástico e jogar aos jogos da minha infância. Os meninos faziam wrestling no recreio porque era isso que viam na televisão. Ainda há pouco tempo mostraram miúdos de primeiro ciclo sentados no recreio a fazer pulseiras de elásticos. Por muita graça que ache às manualidades é óbvio existir algo de estranho quando crianças preferem ficar sentadas em vez de jogarem à apanhada, às escondidas e a outras brincadeiras que lhes ocorram. A falta de criatividade e de imaginação é notória. Num mundo onde já tudo está feito e os jogos de computador, smartphones e televisão são as formas mais importantes de entretenimento infantil, não é de espantar a diminuição de capacidade imaginativa. Somando a alienação parental, fruto de horários laborais cada vez menos humanos, e um ritmo de vida cada vez mais acelerado, pouco amigo de infantilidades, é natural que os comportamentos das crianças e adolescentes se modifiquem. Acessos de raiva, violência, depressão e o sentimento de impunidade proporcionam actos cada vez mais violentos entre crianças/adolescentes. Numa sociedade tão ironicamente desconectada, embora toda a gente esteja ligada à rede, onde se perde o saber como falar com alguém sem olhar a cada minuto para o ecrã do smartphone, é natural que traços como os de empatia, respeito e amor ao próximo diminuam. Abusos psicológicos com requintes de malvadez (e com recurso às redes sociais), físicos e até mesmo sexuais (sim, porque existem nas escolas abusos sexuais entre alunos independentemente do género) cometidos por menores são ignorados pela justiça deixando as escolas sem meios para lidar com estes problemas.

Não compreendo como pode fazer bem a um aluno ser assediado por colegas de escola, espancado ou humilhado publicamente. Também não entendo o vazio legal para se agir com justiça nestes casos. A pessoa com quem dialogava considerava que a possibilidade de bullying nas escolas é condição essencial para não proteger os filhos para sempre. A maioria dos pais de vítimas de bullying encolhe os ombros ou espera que a escola trate do assunto. Por experiência são raros os casos em que a escola pode fazer alguma coisa. Na maioria dos casos as vítimas remetem-se à resignação e esperam desesperadamente por cada fim de semana para poderem escapar aos agressores. Outras optam por terminar com o sofrimento de uma vez por todas. Em 2010 o bullying era a segunda causa de suicídio entre adolescentes.

Se é preciso não proteger demais é também necessário não proteger de menos. No entanto, as escolas não deveriam ser como os estabelecimentos prisionais. Os bons miúdos, aqueles que não dão problemas e que são dóceis, tornam-se carne para canhão nas mãos dos miúdos que não olham a meios para passarem um bom bocado enquanto humilham ou maltratam. A maldade é uma escolha. Como escolha que é não pode ser recompensada pela cegueira, surdez e mudez de quem vê e não faz nada para acabar com o comportamento desviante.

Conselho: se os pais sabem que os filhos sofrem bullying será mais eficaz mudar de turma ou, até mesmo, de escola. Os agressores gozam, geralmente, de imunidade/impunidade.

I want a little sugar in my bowl

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Há uns meses comecei a reparar que algo de errado acontecia sempre que consumia algo com açúcar. Ficava com sintomas semelhantes aos de ter ingerido glúten. Após várias experiências, não fosse estar completamente equivocada quanto ao agressor, cheguei à conclusão de que só poderia ser o açúcar. Resultado, ando há umas semanas sem consumir açúcar para evitar todos aqueles sintomas terríveis. No entanto, não compreendia como poderia  algo como o açúcar provocar tais sintomas. O açúcar não tem glúten por isso tal possibilidade foi logo eliminada. Sei que em pessoas susceptíveis causa inflamação e isso, durante algum tempo, satisfez a minha necessidade de respostas. Tudo corria bem até ter  tropeçado neste estudo.

“Glyphosate residues in wheat and other crops are likely increasing recently due to the growing practice of crop desiccation just prior to the harvest. We argue that the practice of “ripening” sugar cane with glyphosate may explain the recent surge in kidney failure among agricultural workers in Central America.”

A cana de açúcar passa por um processo de secagem usando o glifosato, componente activo do herbicida Roundup. Ou seja, todos aqueles pacotes de açúcar no supermercado têm glifosato que, por sua vez, provoca uma miríade de doenças. O bastonário da Ordem dos Médicos ainda alertou este ano para os problemas do seu uso/consumo:

““Na última década, a aplicação de glifosato em Portugal aumentou cerca de 50%, com 1 400 toneladas usadas só em 2010. O resultado é que já é detetado em análises de rotina aos alimentos, ao ar, à água da chuva e dos rios, à urina, ao sangue e até ao leite materno”, explicava o bastonário na revista da Ordem dos Médicos, no ano passado, quando o glifosato entrou para a lista das substâncias “potencialmente cancerígenas” da Organização Mundial de Saúde. Com o prazo para a renovação da licença de comercialização prestes a expirar, as posições pró e contra este herbicida têm-se extremado e até a credibilidade da classificação da OMS tem sido posta em causa – apesar de ter sido tomada por unanimidade, depois de avaliada a investigação científica publicada, ligando o herbicida ao aumento da incidência de cancro, doença celíaca, infertilidade, malformações congénitas, doença renal e autismo.”

E sim, os casos de doença celíaca têm estado a aumentar de uma forma incrível deitando por terra o mito de se tratar de uma doença rara.

“Gluten intolerance is a growing epidemic in the U.S. and, increasingly, worldwide.(…)Some have suggested that the recent surge in celiac disease is simply due to better diagnostic tools. However, a recent study tested frozen sera obtained between 1948 and 1954 for antibodies to gluten, and compared the results with sera obtained from a matched sample from people living today (Rubio-Topia et al., 2009). They identified a four-fold increase in the incidence of celiac disease in the newer cohort compared to the older one. They also determined that undiagnosed celiac disease is associated with a 4-fold increased risk of death, mostly due to increased cancer risk. They concluded that the prevalence of undiagnosed celiac disease has increased dramatically in the United States during the past 50 years.”

Nos últimos anos tenho lido artigos de opinião onde se fala de forma jocosa da nova moda do “sem glúten”. Lamento imenso que não seja apenas uma moda dietética. Seria muito bom que assim fosse pois significaria que não existiria tanta gente não diagnosticada a sofrer de inúmeros problemas de saúde. A doença celíaca e intolerância ao glúten é séria e provoca danos terríveis.

Por agora continuo a não consumir açúcar porque das duas uma, ou é mero processo inflamatório ou o meu corpo está demasiado sensível e reage ao glifosato. E que faz mesmo o glifosato para que provoque doença celíaca?

“A recent study on glyphosate exposure in carnivorous fish revealed remarkable adverse effects throughout the digestive system (Senapati et al., 2009). The activity of protease, lipase, and amylase were all decreased in the esophagus, stomach, and intestine of these fish following exposure to glyphosate. The authors also observed “disruption of mucosal folds and disarray of microvilli structure” in the intestinal wall, along with an exaggerated secretion of mucin throughout the alimentary tract. These features are highly reminiscent of celiac disease. Gluten peptides in wheat are hydrophobic and therefore resistant to degradation by gastric, pancreatic and intestinal proteases (Hershko & Patz, 2008). Thus, the evidence from this effect on fish suggests that glyphosate may interfere with the breakdown of complex proteins in the human stomach, leaving larger fragments of wheat in the human gut that will then trigger an autoimmune response, leading to the defects in the lining of the small intestine that are characteristic of these fish exposed to glyphosate and of celiac patients.”

Resta-me procurar açúcar biológico e certificar-me que as marcas de arroz e de farinha que consumo não receberam tratamento com Roundup. Se ainda consumisse trigo iria sem dúvida optar por farinha biológica de agricultura devidamente certificada (neste mundo da alimentação biológica há muita coisa que não é o que parece). Entretanto, e lamentavelmente, o Estado Português acha muito bem que os portugueses fiquem gravemente doentes e ainda não baniu o uso do herbicida em território português.

Eu cá, só  queria era mesmo um bocadinho de açúcar.

Mais um vestido

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Nos últimos meses tenho a consciência de que opto sempre por usar roupa velha, larga e pouco interessante para usar em casa. Quando saio à rua uso sempre roupa com a qual me sinta bem e apresentável. Qual o motivo para isso? Existirá alguma regra invisível que defina que roupa bonita só pode ser usada fora de casa? Cheguei ao ponto de ruptura no mês passado. Decidi que tinha de fazer roupa decente para andar em casa. Honestamente estava a atrofiar com as calças de ginástica e as t-shirts largueironas. Olhava-me ao espelho e…

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Julgo que acabei por tropeçar na ideia de que quem passa boa parte do tempo em casa não precisa de se cuidar e muito menos usar roupa bonita. A não ser para sair à rua. E mesmo aí é preciso ter cuidado. Se uma mulher não trabalha fora de casa (entenda-se por: não ganha dinheiro) e sai à rua muito bem aprumada só pode ser uma dondoca que está a usar o marido. Se usa jeans e t-shirt é obviamente uma matrafona e está à espera de ficar sem o marido. São generalizações absurdas que toda a gente conhece e que, na maioria dos casos, reflectem o pensamento da sociedade.

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No entanto, a forma como nos cuidamos é o reflexo do respeito que sentimos por nós próprios. Se nos respeitarmos iremos cuidar de nós. Se acharmos que o nosso valor é reduzido entramos num processo de auto-eliminação. Quantas vezes achei que era mais importante fazer/comprar roupa bonita para a minha filha? E talvez seja este um dos maiores desafios da maternidade e da vida adulta, encontrar o equilíbrio. Não cair em extremos e em excessos. Saber escapar à terra árida do desleixo e, ao mesmo tempo, evitar as promessas fúteis e vãs da juventude e beleza eternas.

Conversas à parte, optei por fazer um vestido traçado da Burda deste mês para inaugurar um guarda-roupa de andar por casa que me agrade e me faça sentir bem.O modelo escolhido foi o 126 – 07/2016.

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A execução foi relativamente simples e optei por não colocar fecho visto o tecido ter elasticidade. Foi uma boa escolha pois consigo vesti-lo sem qualquer dificuldade. O problema óbvio são os ombros. Cortei o tamanho 46 e os ombros são claramente grandes. Aliás, o decote abre demasiado (embora não se note na foto) e tenho tecido a mais na zona das cavas. Deveria ter cortado um tamanho abaixo para a parte de cima do vestido. No entanto, gosto imenso do resultado final. O tecido é muito suave e fresquinho e é uma mudança agradável não ter de usar sempre calças de ginástica e t-shirts sem graça.

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